Contentor
O meu trabalho é constituído por tentativas de examinar as coisas à minha volta, dos aspectos ordinários da vida quotidiana a especificidades do uso da linguagem ou de formas de representação. Tento encontrar dispositivos de apresentação que funcionem como parte integrante do conteúdo das peças, transformando-os em instrumentos para interrogar cada objecto, performance ou processo produzido.
No meu trabalho performativo, interessa-me sobretudo criar situações que possam sublinhar a vulnerabilidade da exposição face ao olhar do outro, procurando intensificar a consciência de pequenos detalhes que possam interrogar a crença cega nas aparências e com isso questionar o poder das imagens.
Interessa-me evocar, através das minhas intervenções, experiências ligadas à estranheza, à frustração, à alienação, ao deslumbramento, à perda de referências e à ruptura entre a noção de interioridade e de exterioridade.
A incomunicabilidade, o uso de tecnologias obsoletas e rudimentares, os comportamentos humanos extremos, a observação do observador, o constrangimento face à morte, o caos, a prática do esforço inútil e o humor melancólico são alguns elementos recorrentes que atravessam os meu trabalhos, tornando-se quase obsessões.
